Só ver o que se pode ser.

Veja o coração, coração frio,
refém daquilo mais de tudo aquilo,
que se ouve e vê na televisão.
Sente quando o som
combina com a imagem,
o tom fúnebre da reportagem,
trás a tona a lágrima de dó.
E, no fim da pausa do suspiro,
quando o timbre muda,
muda tudo,
e se esquece a dó e a emoção.
Só se pensa e se vê,
sé pra assim ser,
só se sente sé pra assim ser,
nem um furo muda a narração.
O que é alguém se não se enxerga,
O que é alguém se não se fala,
porque quem vê,
não vê com os próprios olhos.
Se uma pedra cai do precipício,
se um ser segue o mesmo destino,
ninguém se pergunta
onde está o início.
E no fim,
quando chega a hora,
um botão desliga a vida lá fora,
e se vive o que se viu e ouviu.
Triste e frio, coração frio,
vive a estória e a história vive,
com os olhos gelados
da televisão.

Só ver o que se pode ser.


Bia Daflô

....

A inocência de viver já
não pode mais viver a inocência.
Pessoas más poluem pessoas
poluem pessoas poluem pessoas
já não mais boas.
Esse ciclo teve um início, se é que teve,
e seu início veio no fim,
e o início e meio por mim é desconhecido,
onde as pessoas ficaram más e começaram
a poluir as pessoas ainda boas.
E já se perdeu a essência do que
é bom e a noção do que é ruim,
e a liberdade de descobrir.
A poluição tomou conta da nossa
alma, mobilizou a nossa mente e há muito
escorre pela nossa boca.
E só quem ainda sente o cheiro
da essência, é quem vive as margens
desse aquário.
A pressão os afasta do fundo,
e sem querer, dá a chance de respirar.
Por que quem já esta submerso,
não sabe onde começa nem onde
termina a escuridão da profundidade.
Sem oxigênio.
Um dia onde existiu bondade, as pessoas
más chegaram e poluíram as pessoas boas.
Quanto mais fácil for a sobrevivência
nesse aquário, maior é a profundidade,
e mais contaminada é a alma.
A inocência de viver, não pode
mais permanecer inocente, porque
pessoas más poluiram pessoas boas,
e esse ciclo talvez nunca tenha fim pros
submersos, mas ainda há chances
para aqueles, que mesmo sem querer,
a pressão da profundidade ainda
deixa respirar.


Bia Daflô

Bia.

Dançando...




Mais um ano que se segue,
e vou tentar seguir dançando,
se eu caminho volto andando,
se eu corro, suspiro e morro,
e se for morro me acabo na metade,
se danço, canso, mas com vontade,
danço rápido, mas danço lento e respiro,
mas o melhor é que é acompanhada,
sim, pode haver dueto na caminhada,
mas eu prefiro a dança,
olho no olho,
se guiando na jornada.

Bia Daflô

...


       beleza ébano,
nobre bondade,
                 lar congregante,
        sem soledade,
          fortaleza rija,                   
palavra vívida,                   
braço gigante,
gera cidade,
               fome isolante,
              riqueza roubada,
            real nativo,
dor cominada,
essência pura,         
dança sentida,                    
som latejante,
dom invejado,         
homem pedante,
             ser descorado,
causa discórdia,
                     traz infortúnio,
      gera desgraça,
rouba futuro,       
resiste forte,               
resiste sofre,
  alma sincera,
               véu fortificante,
emerge, cobre,
       aviva, move,
suporta era,
beleza ébano,            
cor reluzente,                  
cacho eriçado,
        nação valente.


Bia Daflô

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