Veja o coração, coração frio,
refém daquilo mais de tudo aquilo,
que se ouve e vê na televisão.
Sente quando o som
combina com a imagem,
o tom fúnebre da reportagem,
trás a tona a lágrima de dó.
E, no fim da pausa do suspiro,
quando o timbre muda,
muda tudo,
e se esquece a dó e a emoção.
Só se pensa e se vê,
sé pra assim ser,
só se sente sé pra assim ser,
nem um furo muda a narração.
O que é alguém se não se enxerga,
O que é alguém se não se fala,
porque quem vê,
não vê com os próprios olhos.
Se uma pedra cai do precipício,
se um ser segue o mesmo destino,
ninguém se pergunta
onde está o início.
E no fim,
quando chega a hora,
um botão desliga a vida lá fora,
e se vive o que se viu e ouviu.
Triste e frio, coração frio,
vive a estória e a história vive,
com os olhos gelados
da televisão.
Só ver o que se pode ser.
Bia Daflô
Meu novo projeto.
14 horas atrás
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